Calloni Models


Modelando um Vagão de Serviços da RFFSA

A RFFSA adaptou vários vagões box para execução de serviços gerais de manutenção nas linhas. A técnica aqui descrita tem por objetivo ajudar o modelista a fazer um desses vagões, através da utilização de materiais baratos e que estão disponiveis facilmente em qualquer casa. O modelo em questão é um vagão FRC de bitola métrica, cuja principal modificação (e aquela que confere maior destaque) é o teto de zinco.

Construção

Para a construção do modelo utilizamos o vagão da Frateschi ref. 2017) que já vem com o logo da RFFSA e o prefixo FRC de fábrica (no caso do modelista não ter os decais necessários ou não quiser alterá-los).

O primeiro passo é retirar os reforços das testeiras. Esse trabalho pode ser feito com um estilete bem afiado e depois de retirado o exesso deve-se lixar a testeira, com lixas de diversas granulações (recomendamos de 120, 180 e no final de 600) até ficar bem lisa (foto 1). Essa fase do trabalho tem que ser executada com muito cuidado pois pode ferir suas mãos.

Executar o mesmo processo (e com o mesmo cuidado) no teto do vagão. Aqui não é necessário fazer um acabamento perfeito, uma vez que iremos recobrir o teto com alumínio.

Foto 1

Reconstrução das Testeiras

Para refazermos os reforços das testeiras, vamos utilizar mexedores de cafés desses encontrados em quiosques ou bares que tem as astes em forma de trapézios (foto 2). Cortar as astes no tamanho de 30 mm e lixar as estremidades em 45 graus. É importante que todos os reforços tenham o mesmo tamanho e o ângulo no final do reforço seja o mesmo para que o conjunto seja uniforme.

Foto 2

Construindo o teto do Vagão

Primeiro devemos fazer as telhas onduladas de “zinco”. O material utilizado é alumínio de formas descartáveis tipo “quentinha”. Cortar tiras de alumínio do fundo das formas, no tamanho de 15 por 40 mm, alisando-as com uma caneta ou régua. Cuidado para não rasgar as tiras ou não será possivel dar formato arredondado a elas.

Utilizamos também o teto de um vagão gaiola da Frateschi (ref. 2001) como molde das telhas para o novo modelo (foto 3). Corte a tira de alumínio (no sentido da largura) no tamanho aproximado de 20 mm por 35 mm. Observe que as telhas de “zinco” não são iguais nem na largura nem no comprimento. São necessárias 13 ou 14 telhas. Depois coloque o alumínio cortado sobre o teto do vagão gaiola e com os dedos ou com a tampa de uma caneta molde as telhas que serão usadas para o novo vagão. Para os perfeccionistas, existe um produto pronto importado (Campbell) que imita telhas de zinco com maior fidelidade.

Foto 3

O teto do vagão é curvo exigindo seu preenchimento e formatação do modelo. Para preencher o espaço entre o teto do vagão original e o novo que queremos, utilizamos massa acrilica de paredes. Essa massa deve ser aplicada aos poucos de maneira a já ter o formato arredondado, conforme mostra a foto 2. A secagem desse material é demorada (mais ou menos 24 horas) e enquanto está mole temos que instalar as telhas metálicas “colando-as” no corpo do vagão.

Pressione com cuidado as telhas no teto já com a massa acrílica (ainda mole) para não estragar o seu formato arredondado e de maneira que a massa entre em contato com o metal. Coloque as telhas uma a uma, lembrando que elas são diferentes e desalinhadas (foto 4). No final, corte com uma tesoura a última telha para que ela termine junto com o teto do vagão. Se por acaso nesse corte o formato da telha desfizer, volte para o teto do vagão gaiola e refaça o trabalho nesse pedaço que falta.

Foto 4

Depois de instalar todas as telhas, deixe o material secar por 24 horas. Para terminar a confecção do teto faltam somente os rebites. Os rebites no teto formam feitos com fios de latão bem finos e instalados fazendo-se um pequeno furo na telha (e na massa), depois introduza o fio de latão e corte com um alicate apropriado na altura desejada. Para isso a massa acrilica que fica embaixo das telhas de “zinco”, deve estar bem seca. Em volta do rebite foi adicionado um pouco de massa acrílica (a mesma do teto) e posteriormente essa massa foi pintada de preto com um pequeno pincel.

Adicionando Detalhes

Existem alguns detalhes que enriquessem o modelo e podem ser feitos baseados nas fotos do protótipo. Assim temos:

1 - Pega-mãos: podem ser confeccionados com fios de latão e instalados no teto do vagão (junto ao volante do freio) e nas estremidades do corpo do modelo;

2 - Escadas extras de acesso ao vagão instaladas junto às portas: essas escadas foram obtidas de vagões fechados sucateados ou podem ser feitas de metal (latão).

3 - Volante do freio: em de uma das testeiras foi colada uma base de estireno de 12 mm por 4 mm, previamente furada, juntamente com um fio de latão de 1 mm de e 44 mm de comprimento. O volante do freio é do próprio vagão e foi furado para ser instalado no fio de latão.

4 - Mangueiras de freio podem ser confeccionadas com cordas de violão ou compradas prontas da Kadee.

5 - os engates tradicionais tipo alça (que vem de fábrica) podem ser substituídos por engates Kadee n. 5 conforme as fotos do modelo.

Pintura e Envelhecimento

O primeiro passo é retirar as inscrições originais que vem de fábrica. Com um lápis borracha, raspar a superfície do vagão com o cuidado de não deixar marcas. Essa etapa não é necessária caso você decida deixar os números do modelo industrial. A tinta utilizada foi o vermelho óxido aplicado com aerógrafo.

O teto do vagão foi pintado de duas cores: prata fosco (simulando a cor do metal) e ferrugem (retratando a degradação do material exposto ao tempo). Cada telha de zinco foi trabalhada para retratar o protótipo, obtendo-se um resultado interessante (foto 5).

Foto 5

Depois da pintura aplicar os decais correspondentes ao protótipo (logotipo e numeração), inclusive nas testeiras. É necessário utilizar decais de diversos fabricantes, uma vez que não existe um produto especifico para esse vagão.

O envelhecimento foi feito com a técnica do giz pastel. Observando-se o protótipo podem ser acrescentados diversos detalhes no envelhecimento que dão a sensação de realidade. Podemos ver algumas manchas na pintura resultado de reformas no vagão (tonalidades diferentes nas cores), pintadas facilmente mesmo com um pincel, uma vez que não são muito extensas.

Finalização

Os rodeiros foram usinados para que a flange ficasse mais próxima da realidade. Os engates foram trocados para Kadee n. 5 com o corte dos originais tipo alça junto ao truque. Para melhor conservação do modelo e para fixar o envelhecimento aplicar duas demãos de verniz fosco Acrilex em spray.

Foto 6

Foto 7

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